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Tigre de Atlântida
A Cronologia da violenta carreira do Rei Kull, de Valúsia, retirada
das Crônicas Thurianas.
Por Jim Neal
I
- EXÍLIO
Quando
Kull, o exilado de Atlântida, se tornou rei de Valúsia, ele ganhou
uma cicatriz na face direita - uma marca que o acompanharia pelo
resto de sua turbulenta carreira. Contudo, somente alguns amigos
muito próximos - Brule, o lanceiro, um bárbaro picto; Ka-nu, embaixador
das ilhas pictas; talvez Tu, o conselheiro real valusiano - sabem
da cicatriz que Kull, traz em seu coração. Essa mágoa foi aí colocada
uma década antes dele se sentar pela primeira vez no trono de Topázio
de Valúsia. Kull era então apenas um adolescente, mas já guerreiro
da tribo do mar de Atlântida, e deliberadamente matou uma jovem,
chamada Sareeta. Foi um ato de misericórdia para salvar a mulher
da tortura, mas Kull nunca esqueceu essa experiência essa experiência.
A memória dessa morte voltou repetidas vezes assombrando-o pelo
resto de sua vida. As origens de Kull são um mistério para a tribo
do mar, cujos caçadores o encontraram ainda menino, brincando alegremente
com uma família de tigres que aparentemente o havia adotado quando
bebê. Naturalmente o tigre passou a ser o seu totem - seu "espírito
protetor" - quando ele se tornou um adolescente na tribo de humanos.
Anos depois, quando o espírito do tigre invadia o corpo de Kull,
nos momentos de crise, os outros juravam poder ver, por entre as
sombras, o contorno de um enorme gato listrado envolvendo o corpo
do atlante. Kull deixou a tribo do mar em um pulo - alto e longo
- à frente de lanças e flechas, depois de ter arremessado a adaga
que deu uma morte rápida e Sareeta, prestes a ser queimada viva.
O crime de Sareeta? Ela ousou se apaixonar por um forasteiro. Com
nada além das suas sandálias e sua tanga, Kull atirou-se ao mar
e um navio que passava o içou das águas. No entanto, o navio era
ocupado por piratas lemurianos, e o jovem ficou acorrentado a um
dos remos, escravo do galeão por dois anos, até que conseguiu escapar
e nadou para uma praia ao norte de Valúsia, no continente thuriano.
II - ASCENSÃO PARA O TRONO
Seguiram-se anos cruéis e sangrentos. Kull juntou-se aos foras-da-lei
nas colinas selvagens e aprendeu a arte da espada, a montar a cavalo
e as técnicas de luta com o machado de batalha. Provavelmente, durante
esse tempo ele serviu em um exército de mercenários recrutado pelo
Rei Asfodel IV, da Lemúria, para defender aquela nação contra uma
ameaça mágica, e foi a lâmina de Kull que desferiu o golpe mortal
no mago Rotath, o Conquistador. Voltando para Valúsia, o atlante
reuniu-se com os companheiros foras-da-lei até que foi capturado
pelas autoridades e enviado para a arena de gladiadores na Cidade
das Maravilhas, capital de Valúsia. Depois de uma impressionante
seqüência de vitórias, Kull foi libertado para fazer parte do exército
valusiano, chegando a comandar a temida Legião Negra, regimento
particular do rei. O jovem comandante então tornou-se inadvertidamente
o bode expiatório num plano para derrubar o monarca despótico de
Valúsia, o Rei Borna - um plano arquitetado pelo Barão Kaanub, que
queria o Trono de Topázio para si; por Ducalon, o conde anão de
Komahar; por Enaros, o soldado que sonhava em comandar a Legião
Negra; e por Ridondo, um jovem e louco menestrel que simplesmente
detestava quem detivesse o poder. Mas o plano não funcionou. Kull
acabou com Borna, que colocou a cicatriz na face do atlante durante
a sua batalha desesperada na sala do trono. E foi ele, e não Kaanub,
que passou usar a coroa valusiana. Todos esses eventos - a sua ascensão
ao poder, de selvagem a rei - foram lembrados por Kull no dia da
sua parada triunfante. Sua cicatriz mal tinha sarado quando ele
encontrou Brule pela primeira vez. Com Brule, Kull descobriu a ameaça
dos homens-serpentes, uma antiga raça com a habilidade de assumir
a forma humana. Vencido o perigo imediato, Kull, Brule e um bando
de soldados valusianos penetraram no quartel-general dos homens-serpentes,
um templo imerso na selva ao sul, e tentaram extinguir as criaturas.
Lá, no entanto, o rei conheceu Thulsa Doom, um misterioso mago de
Grondar, cidade a leste de Valúsia. O feiticeiro foi convidado a
acompanhar o cortejo real de volta para a Cidade das Maravilhas.
Na capital de Valúsia, Thulsa Doom tentou apoderar-se do reinado,
mas o seu feitiço virou contra o feiticeiro, e ele naufragou para
dentro da terra - ou para algum outro lugar desconhecido.
III
- O AVENTUREIRO
A feitiçaria voltou o reinado de Kull, quando Kaanub, Ducalon, Enaros
e Ridondo usaram a ajuda do mago Melikory, que criava e dava vida
a criatura d e cera. Um sol forte e, mais tarde, óleo e fogo desfizeram
literalmente a ameaça. Numa missão de ajuda à ilha de Damascar,
ao sul do continente thuriano, Kull e a sua Legião Negra aventuravam-se
no mar e responderam à traição com misericórdia. De volta ao lar,
Kull fez um novo amigo, o aventureiro Zarkus, de Zarfhaana, o visinho
do leste de Valúsia. O lutador de machado salvou a vida de Kull
várias vezes, mas desistiu da sua desnecessariamente, em Quatar
- uma metrópole antiga e quase esquecida bem além da Cidade das
Maravilhas. Foi por essa época que Kull e seu exército viajaram
para a orla de Valúsia para livrar a terra do culto ameaçador da
sombra Negra, mas achou Thuron, o seu sacerdote-chefe, já morto.
Descansando na cidade do prazer de Valúsia, Kamula, Kull e Brule
descobriram a acabaram com um outro culto do mal. De volta à Cidade
das Maravilhas, o que começou com um simples logro vingativo armado
para Kull acabou custando a vida do rei. Convencido de que uma gata
chamada Saremes podia falar, ele fez uma visita perigosa ao fundo
do lago proibido. Mais tarde sobreviveu ao seu segundo encontro
com Thulsa Doom. Então entediado com os afazeres do estado, Kull
passou a ignorar os bons conselhos de Tu e quase causou um destino
terrível para o mundo inteiro. Posteriormente, o monarca bárbaro
de Atlântida armou uma expedição marítima e, encontrando piratas
lemuriano, impôs-lhes fragorosa derrota. Mas devido a uma tempestade
teve de levar seu navio a uma ilha para reparos, e lá conheceu o
temível Culto do Leopardo, o trágico Demontur, um ditador em um
lobisomem. Em casa novamente, o rei - com a ajuda de uma nobre,
Nalissa, e seu amante, o jovem Dalgar de Farsun - sobreveio a mais
um ataque contra a sua vida. O conselheiro do rei, Tu, contudo,
perdeu um parente favorito, mas não o orgulho por sua família -
graças a uma mentira real. Não muito depois desse incidente, Kull
passou por uma estranha experiência metafísica durante mais uma
tentativa de assassinato. Quando Valúsia foi invadida pelo nordeste,
Kull encontrou e derrotou a Rainha Branca Velia, Zarfhaana, apesar
da traição que ocorreu em seu próprio exército.
IV - KULL DESTRONADO
Kaanub,
Ducalon, Enaros e o jovem Ridondo ajudaram um feiticeiro chamado
Ardyon a fazer uma nova tentativa para roubar o Trono de Topázio
do monarca bárbaro de Valúsia. Ducalon e Enaros foram mortos e Kull
foi capturado através da magia do feiticeiro, que revelou - somente
para Kull - ser Thulsa Doom disfarçado. Momentos antes de ser decapitado,
Kull escapou e fugiu para um vilarejo ocupado por Kargon, um chefe
fora-da-lei, expulso com a ajuda de Brule. Depois de alguns dias,
Ridondo, cujos olhos poéticos viram o que nenhum outro Valusiano
conseguiu ver - que a verdadeira identidade do novo Rei Ardyon era
Thulsa Doom -, reuniu-se a Kull e Brule. Eles tentaram um ataque
contra o feiticeiro, mas quase morreram e tiveram de fugir. Procurando
ajuda entre os antigos companheiros foras-da-lei, tudo o que o monarca
deposto, Brule e Ridondo encontraram foi um réptil voador e um estranho
culto. Kull acabou com o monstro antes de procurar ajuda em outro
lugar. Lançando-se ao mar para pedir ajuda aos pictos, os três foram
capturados por servos pictos de thulsa Doom. Ridondo, relutante
em lutar, foi quem tramou a morte do Teyanoga, xá dos pictos, e
libertou Kull e Brule. Quando Kull e o menestrel partiram, Brule
tentou para tentar salvar seu povo.
V - RETORNO PARA ATLANTIDA
Em
uma outra ilha, Kull, com a ajuda de uma feiticeira, teve uma visão
do futuro, e viajou para a Atlântida onde sofreu outra experiência
metafísica. Um outro choque esperava por ele: onde uma década atrás
ele deixara uma pequena vila havia uma enorme cidade. Nessa cidade,
criada pela feitiçaria de Sarna, o mago, Kull descobriu que o Rei
era um antigo companheiro de infância, Om-Ra, e que seu antigo mentor,
Khornah, era o general do exército Atlante. Kull tornou-se assessor
militar de Khornah após salvar a vida de Om-Ra. Embora as relações
entre o rei e o ex-rei tenham sido boas, não se podia afirmar o
mesmo quanto a Kull e Khornah. Durante uma visita ao Vale do Tigre,
onde ele fora achado por sua tribo quando criança, Kull invocou
uma divindade primitiva e foi atendido pela Mulher da Lua. Ela lhe
concedeu mais uma previsão do seu futuro, incluindo a visão da sua
morte pela espada de Thulsa Doom. Mais tarde, de volta à cidade
de Om-Ra, o antigo rei de Valúsia ficou sabendo de uma estranha
afinidade entre o mago Sarna e a feiticeira Kareesha, mas não deu
muita atenção ao fato. Em vez disso, envolveu-se em uma batalha
naval com guerreiros-esqueletos e monstro verde cheio de tentáculos.
Quase imediatamente, depois dessa batalha, a cidade foi atacada
por estranhos monstros vindo de uma selva chamada Grande Pântano
Misterioso. Liberando uma expedição para lá, Kull e Ridondo encontraram
Khornah, agora de posse de um poder mágico que comandava os monstros
para o ataque. Khornah e um monstro de cristal chamado Shemenon
foram derrotados através da magia de Sarna, e coube a Kareesha -
na verdade um outro aspecto de Sarna - revelar a entrada pelo inferno.
Acompanhando relutantemente por Ridondo, Kull começou a descer rumo
as profundezas da terra para salvar o mundo. No fundo do abismo,
o rei teve o seu confronto final com Shemenon, que se transformou
abruptamente no seu novo mestre, Sarna. Aparentemente os dois sucumbiram
num lago de fogo. Ainda assim, quando Kull e seus companheiros finalmente
retornaram à superfície, descobriram indícios de que Kareesha -
que dividia um corpo com Sarna - teria sobrevivido. A morte de Sarna
aparentemente teve o seu efeito sobre a cidade de Atlântida, pois
quando Kull, e Ridondo voltaram para lá, descobriram que ela estava
habitada somente por um monstro pútrido e disforme que Kull tentou
destruir.
VI
- A BUSCA DE UMA COROA
Aparentemente Kull e Ridondo lançaram-se ao mar novamente, a caminho
de Valúsia, numa viagem ainda não registrada. Deve ter sido uma
viagem cheia de acontecimento e pode-se supor que uma tempestade
- ou talvez a magia de Thulsa Doom - tirou a embarcação do seu curso.
Quando eles reapareceram no continente thuriano não tinha a mínima
idéia de onde estavam. Só depois descobriram estar em Grondar, um
país na orla nordeste do continente, e que era a terra nativa de
Thulsa Doom. Assim que chegaram a terra, kull pôde recordar a cicatriz
em seu coração, ao ver uma jovem prestes a ser sacrificada no tronco.
Desta vez, no entanto, Kull conseguiu libertar a mulher de três
figuras encapuçadas, fez uma amiga e descobriu tratar-se de uma
guerreira que não recordava mais o próprio nome. Ele a chamou de
Laralei, por causa de velhas lendas valusianas, e começaram um romance
- apesar do fato de Laralei tentar persuadi-lo a abandonar a sua
espada, como ela fizera. Seus momentos de prazer foram interrompidos
quando Ridondo foi levado por um enorme condor-demônio comandado
pelas três figuras encapuçadas. Ridondo foi transportado para uma
cidade fechada por muros. Durante sua procura, Kull e Laralei pararam
para perguntar a direção a um ajudante de feiticeiro, que envenenou
a mulher de cabelos negros e enviou o atlante para morrer nas mãos
de um enorme demônio das sombras. Usando a cabeça e os pés, Kull
escapou e acabou com o demônio, voltando bem a tempo de salvar Laralei.
Eles encontraram a cidade, e descobriram Ridondo preso a um altar
e ameaçado por uma enorme serpente. Depois de resgatar o menestrel,
o ex-rei e sua companheira foram bem recebidos pelos cidadãos de
Toranna, e descobriram que estavam em Grondar. Também ficaram sabendo
da historia da cidade, cujo rei foi morto por um monstro de outra
dimensão que pegou a coroa de Toranna e a levou consigo para o seu
mundo. As três pessoas mais poderosas em Toranna, os magos Korr-Lo-Zann,
Gar-Nak e a feiticeira Norra, ofereceram o trono da cidade a Kull
- se ele conseguisse recuperar a coroa. Acompanhado por Ridondo,
Kull atravessou o portão aberto pelos três magos e penetrou na dimensão
do monstro. Sem que os dois soubessem, Laralei também entrou e foi
capturada pelo gigante que ainda usava a coroa de Toranna no seu
chifre central. A criatura, Gasshga, pretendia conservar a mulher
como um brinquedo. Quando o monstro dormiu, Kull entrou, mas Laralei,
que fizera um juramento contra a violência, acordou Gasshga para
salvá-lo da espada de Kull. Durante a batalha que se seguiu, Kull
pegou a coroa roubada e, com um truque, fez com que o monstro caísse
no lago de lava que circundava o seu castelo. Kull, Ridondo e Laralei
voltaram a Toranna através do portão mágico, onde uma procissão
de triunfo esperava o novo rei da cidade. Laralei, triste com a
morte do monstro, viu Norra tentando seduzir Kull. Tomando uma decisão
precipitadamente, ela resolveu sair da cidade, desaparecendo.
VII
- REI NOVAMENTE!
Antes
de Kull aceitar oficialmente a coroa, ele ficou sabendo da maldição
que a acompanhava e teve de enfrentar mais uma vez a face de caveira
de Thulsa Doom, que transformou Norra em uma velha bruxa - sua verdadeira
forma - e a deixou morrer de velhice diante dos olhos estarrecidos
de Kull. Thulsa Doom transportou-se levando Kull para a Terra Sombria,
onde eles travaram o seu combate final - com a vantagem da mágica
do lado do feiticeiro com cara de esqueleto. Lutando com todas as
forças, Kull de repente viu-se exausto, sentado no trono de Toranna,
com Korr-Lo-Zann prestes a colocar a coroa amaldiçoada sobre sua
cabeça. Chamando o seu totem-tigre para conseguir forças, Kull pegou
a coroa e a colocou sobre o crânio de Thulsa Doom, jogando o mago
para os braços do trono. Thulsa Doom foi então condenado a permanecer
para sempre no trono de Toranna. Durante a fuga, Kull e Ridondo
vêem a cidade desmoronar - e Ridondo mostra a coroa de Valúsia que
ele roubou de Thulsa Doom. Na cidade das Maravilhas, Kull assume
novamente o Trono de Topázio, para a alegria dos cidadãos de Valúsia.
O segundo reinado de Kull foi possivelmente mais quieto do que o
primeiro - mas certamente não foi pacifico. Brule voltou para a
corte valusiana depois de cumprir sua missão nas ilhas pictas. Durante
um tempo as coisas ficaram tão enfadonhas que o monarca começou
a visitar a Casa dos Mil Espelhos, no Lago das Visões. As tarefas
do Estado começaram a ser negligenciadas. O povo passou a reclamar.
E o Rei Kull vivia olhando para os espelhos do velho mago Tuzun
Thune. Por fim, o monarca estava prestes a se fundir com um reflexo...
quando Brule estilhaçou o espelho com sua espada ainda suja com
o sangue do feiticeiro. Era tudo um plano do Barão Kaanub. Kull
livrou-se da maldição dos espelhos e reassumiu as tarefas do governo.
VIII
- KULL ENCONTRA CONAN
Logo
depois desse incidente a magia negra atacou outra vez. Kull, Brule,
a Legião Negra e o palácio real de Valúsia foram levados no tempo
para oito mil anos no futuro. Os valusianos estavam perdidos e confusos
em um país chamado Argos, numa parte do mundo com o nome de Hibória.
Súbito, três estranhos chegaram ao local: um gigante de olhos azuis,
que se chamava Conan, da Ciméria, uma guerreira de cabelos vermelhos,
chamada Sonja, e um espadachim conhecido como Bêlit. Gronar, o velho
xá picto, acusou-os de serem os responsáveis por aquela feitiçaria.
Kull cruzou espada com o cimério e quase perdeu a vida. De repente,
o cimério recuou, mostrou a jóia de fogo que havia sumido da coroa
de Kull, e Gronar se transformou abruptamente em algo que Conan
chamou de estígio. O estígio sofreu então uma nova transformação
ganhando asas de morcego, mas uma flecha atirada pelo cimério terminou
com a vida da criatura - e Kull, seu palácio e tudo mais voltaram
para seu próprio tempo, em Valúsia. Os três estranhos, Conan, Sonja
e Bêlit, desapareceram; o Gronar real apareceu logo depois querendo
saber onde tinha ido parar o castelo.
IX
- A ÚLTIMA CAVALGADA DE KULL
Nem
mesmo Brule soube por que, algum tempo depois, o Rei Kull resolveu
cavalgar sozinho, sem nenhuma companhia para um lugar não especificado
no litoral. Não dizendo a ninguém aonde ia, Kull partiu da Cidade
das Maravilhas e penetrou numa densa floresta de carvalhos logo
após escurecer. Nisso, um dos carvalhos pareceu tê-lo atacado. Durante
o combate, Kull sentiu estar recebendo uma comunicação telepática
do seu oponente troncudo, a história de um antigo império de plantas
que sucumbiu antes da evolução do homem, mas que voltaria a dominar
muito depois do homem ter sido esquecido. Abruptamente, Kull viu-se
dando socos contra o tronco de uma árvore que estava simplesmente
sendo agitada pela brisa. Teria sido um sonho? Ou mais uma experiência
metafísica? Se Kull decidiu alguma vez sobre isso, o fato ainda
permanece desconhecido. Pouco depois, o rei partiu sozinho para
o mar. Mas o que o teria atraído para lá sem escolta? Ele poderia
ter levado os Matadores Vermelhos, a sua força de guarda-costas
pessoal, ou a Legião Negra inteira se quisesse. Por que Brule ou
Ridondo não o acompanharam? Por que ele simplesmente não navegou
rio abaixo da Cidade das Maravilhas direto para o mar? Uma possibilidade
é que Kull tenha ouvido dizer que Laralei foi vista lá, em algum
lugar da costa valusiana. Kull nunca desistiu de achá-la. E, embora
ainda não tenha sido registrado até o momento, há a possibilidade
dele a ter encontrado. Se não lá, daquela vez, então em algum outro
lugar e num outro momento. Certamente, as crônicas do turbulento
reinado de Kull ainda estão longe do seu fim.

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